sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

TRIBUNAL DO JÚRI


Foi uma grande experiência participar do Tribunal do Juri e atuar em defesa do Estado. Esperava no momento do sorteio, que fosse contemplada com o grupo da acusação, seria, com certeza, mais fácil desempenhar meu papel. Como isso não aconteceu, no primeiro momento me sentir desmotivada, acreditava que seria impossível defender algo que não acreditava. Conversando com meus colegas de equipe, todos nós só percebíamos os pontos negativos do réu, afirmando assim a sua culpa. Ao longo do debate percebi que só poderia apresentar uma defesa, e de alguma forma desbriasse um modo de acreditar na inocência do réu.
No processo de pequisa,reunião de provas que iriamos usar na defesa admito que sim, pude acreditar nas estruturas que compõem o Estado, suas leis e bases democráticas. Pude conhecer mais a fundo o Estado e sua organização política ,social e jurídica. O governo é uma parte constituída do Estado que tem a função executiva e nessa questão podemos perceber as falhas: O poder executivo não desempenha suas fonções de forma satisfatória , os governantes atuam em não conformidade com os interesses do povo. Os Governantes não governam de forma transparente, cometem irregularidades, são corruptos e a corrupção gera injustiça social.
O debate que ocorreu ao longo do Tribunal, a acusação nos apresentou fatos que mostraram o descontrole do Estado com a violência constituída e as consequências disso para a nossa sociedade, principalmente a população carente. O trabalho de defesa do Estado, me fez recapitular tudo que foi abordado e debatido em sala de aula durante o semestre.
Quando o professor nos trouxe o assunto estatística e nos apresentou dados sobre nosso país no pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) que mostra o nível de desempenho escolar no Brasil, variando de uma região para outra e que em comparação com outros países está abaixo da média. Fato justificado pela falta de investimento na educação básica, no ensino fundamental é médio.
Outro tema discutido foi a Violência e Educação. Que trouxe casos de agressões a professores em sala de aula, fruto da reprodução do comportamento de uma sociedade marcada pela certeza da impunidade, estrutura familiar fragilizada e domínio das drogas. Novamente se faz notar a falta de atenção do governo.
Na tentativa de defesa do Estado esbarramos nas dificuldades em conseguir levantar argumentos de defesa no tocante a violência policial. Nossa polícia é a que mais mata no mundo e a população-alvo é o jovem negro da periferia. Consequência Sistema de Segurança Pública falido, sucateado, polícia mal remunerada, desmotivada e corrupta. Por outro lado nos deparamos com um sistema carcerário precário, sem investimento a curto, médio e longo prazo e ainda uma Justiça morosa e desigual.
Questões como o a intolerância religiosa cada dia mais crescente em nossa sociedade. A violência contra a mulher, mesmo tendo A lei Maria da Penha. As desigualdades sociais num país com tantas riquezas. Levaram a todos nos refletir sobre nossa sociedade.

A Disciplina Sociologia da Educação abriu um leque de perguntas e respostas, que buscamos ao longo do curso intendê-las e criar alternativas para contribuirmos com a construção de uma sociedade mais igual. Intender que fazemos parte do processo, nos coloca na posição de acusado e vitima.

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